Comecei
a te escrever essa quarta quase dois dias depois da nossa última conversa. Eu,
que sempre adepta de a mais recente, acho que talvez dessa vez não seja o caso,
já que o acaso pode ter nos separado de vez. E talvez não seja como das outras
vezes que a vida dá uma reviravolta e a gente se encontra na esquina, na
soleira da porta, na porta do bar, com aquele sorriso e cumplicidade no olhar
de como se fosse pela primeira vez. Talvez, pela primeira vez não vai ter
próxima. Nem na próxima semana, nem no próximo mês, sequer no próximo ano.
Talvez na próxima vida a gente não tenha miopia e se veja tanto de perto quanto
de longe. Talvez a gente aprenda a ser nós de verdade e faça laços. Talvez
também não vai ser nem na próxima vida. E por isso, pelo nunca ser e quase
sempre acontecer, a gente nutra um sentimento bom e bonito: a ilusão tem disso.
Eu ainda estou triste, magoada e de certo modo está faltando algo aqui dentro
de mim: não vou falar que a falta seja a tua personificação, talvez seja só a
falta de esperança porque de certo modo algo chegou no fim. Não sei ainda se
nós ou os outros ao nosso redor. A essa altura tem mais do que a gente nessa
estrada e algo além de mim cobra aquilo que eu preferia não ter que resolver.
Talvez a gente não resolva e nem nunca se resolva. Vamos ser aquele sorriso que
ficou guardado e aquela lembrança que bate vez em quando ou toda vez que mais
alguém passar: eu deveria ter te amarrado aqui? E pesa a dor da inquietação
aqui e alí porque sempre soubemos ou devêssemos saber que aquilo o que não
decidimos, alguém vem e decide pela gente. Tu vais ser para sempre a referencia
de algo especial e singelo, maior do que qualquer rótulo e mais doce do que
qualquer um que já tenha existido ou vá existir. Não sei se teve timing, se
faltou algo, se houve amor, se houve paixão. Mas eu sei que teve carinho,
respeito e admiração que serão perpetuados para o resto da vida. Tu nunca serás
só a minha lembrança da Copa de 2014, nem o brinde no sushi, tampouco aquele
que me segurou pela cintura e enroscou a barba no meu pescoço. Vai ser também
isso e toda a esperança que eu não perdi na humanidade e isso quer dizer muito,
senão tudo. Quando eu não tenho vontade de ir para casa porque a pressa me
prende e o sono não vem, tantas vezes foi em ti que eu prendi a respiração e
aprendi a olhar o caminho porque por mais que as coisas sejam melhores, elas
ainda não vieram. E por tantas vezes tento e tentei entender o porquê de
andarmos em círculos, mas acho que em verdade nunca andamos. Rodopiamos, como
se não existisse caminho para nós porque talvez, de fato, não exista. No fim de
tudo isso, ainda o que sobra é muito. Por mais que as palavras não digam isso e
quem quer mais, que não nós, ouvisse, discordaria, sem titubear, eu só posso
ainda agradecer. Agradecer por tu teres surgido, por teres ido, por voltares.
Porque em todas as vezes em que houve regresso, veio o carinho que alimentou o
amor próprio. Em todas as idas, teve o episódio de mais um encontro aleatório
que teve significado diferente e ainda assim especial. Obrigada por ter sido o
braço e o abraço que me estendeu o novo, de novo. Obrigada por não ter sido só
lençóis e por dividir sextas e sábados. Obrigada por sorrir diferente mesmo que
nem sempre estivesse seguro do que sentisse. Obrigada por ter deixado eu ir,
vir, voltar e ficar, ainda que solta.
terça-feira, 11 de julho de 2017
domingo, 3 de novembro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Sem mais.
Podia ter sido você. Mais do que isso talvez pudesse ter
sido eu. Eu que sempre achei que a gente escolhesse o par pela cor
que fazia vibrar o coração ou pelos percalços que causassem aos olhos. Podia ter sido então na primavera ou no calor escaldante do
verão. É que eu nunca gostei de usar casaco e o frio daqui congelava além do
que os ossos já puderam suportar. Então foi que eu achei que também isso desse
para se escolher: aquele alí do canto moço. De barba rala, de camisa clara.
Aquele moço, aquele que olha para o outro lado porque eu nunca tive preguiça de
ensinar a direção. Mesmo que sequer eu saiba usar navegador ou contar estrelas
ou pontos ou qualquer iluminação que possa significar endereço, seta ou
caminho. Me perco todas as vezes que eu pego a esquerda quando lá atrás o mapa
dizia direita. É que tem concerto não: a gente escreve com um lado e a gente
sente é com o outro. Sina de dividir. Sina de sentir, demais.
domingo, 21 de julho de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
Mãe é todo dia.
- É para quando tu virares uma.
Foi essa a resposta que eu recebi de uma senhorinha muito simpática quando eu, antecipadamente, a felicitei pelo dia de hoje e ela retribuiu dizendo, para ti também.
Foi essa a resposta que eu recebi de uma senhorinha muito simpática quando eu, antecipadamente, a felicitei pelo dia de hoje e ela retribuiu dizendo, para ti também.
Impossível falar em dia das Mães sem que nos lembremos das nossas.
Eu e a minha tivemos nossas fases como deve ocorrer em todos os lares assombrados por essas mulheres modernas que muitas vezes trocaram o brincar no chão com os filhos pela matemática da vida que é trabalhar fora.
E não, não acho errado isso não. E realmente a gente percebe que o tempo é aquilo que só faz bem. Ele passa, vem e vai e nós, com um pouco de esforço e sorte, vamos nos moldando e crescendo e deixando aquelas birrinhas de lado e a chupeta pelo caminho. Cada dia, perdoo mais a minha mãe pelas vezes em que ela demorou a me buscar na escola, pelas vezes que me “incentivou” a escolher a minha própria roupa. Pelas vezes que deixou bem claro que o material da escola era minha tarefa lembrar e organizar. Pelas vezes que ela não deitou comigo na cama até eu pegar no sono contando historinhas... achamos que não, mas toda mãe é de muita carne e pouco osso. São esses tropeços que nos fazem fortes, que as vezes possibilitam que amadurecemos jovens e que nos ensinam que o não talvez seja a melhor forma de amor.
Não podemos as ter por perto a vida toda, então, que nossa gratidão e reconhecimento sejam sempre maiores que qualquer pontinha de remorso. Porque alguém já disse por aí que “toda relação é um presente”.
Um desde já feliz dia das Mães àquelas que já o são, e as que como eu um dia pretendem ser a extensão da sua própria.
Eu e a minha tivemos nossas fases como deve ocorrer em todos os lares assombrados por essas mulheres modernas que muitas vezes trocaram o brincar no chão com os filhos pela matemática da vida que é trabalhar fora.
E não, não acho errado isso não. E realmente a gente percebe que o tempo é aquilo que só faz bem. Ele passa, vem e vai e nós, com um pouco de esforço e sorte, vamos nos moldando e crescendo e deixando aquelas birrinhas de lado e a chupeta pelo caminho. Cada dia, perdoo mais a minha mãe pelas vezes em que ela demorou a me buscar na escola, pelas vezes que me “incentivou” a escolher a minha própria roupa. Pelas vezes que deixou bem claro que o material da escola era minha tarefa lembrar e organizar. Pelas vezes que ela não deitou comigo na cama até eu pegar no sono contando historinhas... achamos que não, mas toda mãe é de muita carne e pouco osso. São esses tropeços que nos fazem fortes, que as vezes possibilitam que amadurecemos jovens e que nos ensinam que o não talvez seja a melhor forma de amor.
Não podemos as ter por perto a vida toda, então, que nossa gratidão e reconhecimento sejam sempre maiores que qualquer pontinha de remorso. Porque alguém já disse por aí que “toda relação é um presente”.
Um desde já feliz dia das Mães àquelas que já o são, e as que como eu um dia pretendem ser a extensão da sua própria.
domingo, 5 de maio de 2013
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